Provimento 205/2021 da OAB: o guia artigo por artigo com o texto oficial

Provimento 205/2021 da OAB artigo por artigo, direto do texto oficial: publicidade ativa e passiva, o Anexo Único, chatbot, Google Ads e as sanções reais.
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Por Marcio Caldas

CEO da MAB - Marketing para Advogados Brasil · 25 anos de marketing digital, web e design, graduado em direito e especialista em marketing jurídico.

Artigo atualizado em: 25/10/2026 23:04

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Provimento 205/2021
28 minutos de leitura

Provimento 205/2021 é a norma do Conselho Federal da OAB que regula toda a publicidade e a informação da advocacia no Brasil, publicada em 15 de julho de 2021 e em vigor desde 30 dias depois, conforme o artigo 13 do próprio texto, o que é um problema sério num tema onde a numeração exata importa para qualquer defesa em processo disciplinar.

Existe muito conteúdo circulando sobre essa norma que atribui regra a artigo errado. Este guia foi construído citando cada artigo e cada parágrafo direto do texto oficial publicado em oab.org.br, sem intermediário.

Você pode ter chegado até aqui pesquisando de formas diferentes: Provimento 205 OAB, Provimento 205 2021, Provimento 205 de 2021, ou até só Provimento 205 sem mais nada. É a mesma norma, e este guia usa a grafia oficial completa, Provimento 205/2021, ao longo de todo o texto, exatamente como publicada pela própria OAB.

“As informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras e são de exclusiva responsabilidade das pessoas físicas identificadas.”

O Provimento 205/2021 é a norma do Conselho Federal da OAB que regula a publicidade e o marketing jurídico da advocacia. Tem 13 artigos e um Anexo Único. Permite conteúdo informativo, discreto e sóbrio, e proíbe captação de clientela, mercantilização, preço, desconto, autoelogio, comparação e divulgação de resultado de processo. Segue em vigor, e o Anexo Único traz a aplicação prática, de chatbot a grupo de WhatsApp.

📋 Resumo prático do Provimento 205/2021, o que pode e o que não pode:

O que pode:

  • Informar com sobriedade: divulgação sem ostentação e com caráter informativo (art. 3º e § 1º).
  • Anunciar, pago ou não: publicidade ativa ou passiva no marketing de conteúdos, sem mercantilização nem captação de clientela (art. 4º).
  • Identificar-se com qualificação e título: desde que verdadeiros e comprováveis (art. 4º, § 1º).
  • Divulgar contatos: e-mail, site, rede social e aplicativo de mensagem, com logotipo sóbrio (art. 4º, § 3º).
  • Oferecer livro, curso ou evento: de forma ativa, quando o público é advogado, estagiário ou estudante de direito (art. 4º, § 4º).

O que não pode:

  • Falar de preço: honorário, forma de pagamento, gratuidade ou desconto para captar cliente (art. 3º, I).
  • Induzir a erro: informação que possa enganar ou causar dano a cliente, colega ou sociedade (art. 3º, II).
  • Anunciar especialidade sem título: sem título certificado ou notória especialização (art. 3º, III).
  • Se autopromover ou comparar: expressão persuasiva, de autoengrandecimento ou de comparação (art. 3º, IV).
  • Divulgar resultado de processo: decisão judicial ou resultado obtido, salvo manifestação espontânea em caso já coberto pela mídia (art. 4º, § 2º).
  • Fraudar o alcance: meio ou ferramenta que influa de forma fraudulenta no impulsionamento ou alcance (art. 4º, § 5º).

Cada item abaixo vem do texto oficial, e o detalhamento completo, artigo por artigo, está nas seções seguintes.

📌 Atualizado em 19 de outubro de 2026: conferimos de novo o texto oficial no site da OAB e não encontramos publicação de novo provimento em substituição ao 205/2021. A redação de 2021 segue em vigor, e a revisão em andamento está detalhada na seção logo abaixo.

🔍 Mais de 1,3 milhão de advogados estão inscritos na OAB, e a norma que rege a publicidade de todos eles cabe em poucas páginas, mas exige leitura atenta. Confundir artigo, ou pior, inventar conteúdo de artigo que não existe, é o tipo de erro que se propaga rápido quando ninguém volta à fonte original.

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A revisão do Provimento 205/2021 já está na fase final: o que a OAB confirmou até agora

Enquanto você lê o texto oficial artigo por artigo logo abaixo, vale registrar um fato que boa parte do conteúdo sobre o tema ainda ignora: o Conselho Federal da OAB já está em fase avançada de revisão do próprio Provimento 205/2021. Não é boato nem interpretação de terceiro. A informação está publicada no site institucional da OAB, numa notícia oficial publicada pela própria entidade.

Essa revisão nasceu de decisão formal do Conselho Federal, não de um rascunho interno. Em 26 de maio de 2025, o Plenário aprovou a criação de um grupo de trabalho para atualizar o Provimento 205/2021, formalizado pela Portaria 806/2025. A coordenação ficou com a conselheira federal Christina Cordeiro, secretária-geral adjunta do CFOAB, ao lado de nove conselheiros federais representando nove estados: Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Piauí, Mato Grosso, Sergipe e Tocantins.

🏛️ A fase final do processo aconteceu em 8 de dezembro de 2025, durante o 20º Encontro de Presidentes dos Tribunais de Ética e Disciplina (TEDs) e o 15º Encontro de Corregedores Seccionais, realizado em formato virtual, onde as últimas contribuições dos estados foram consolidadas no texto revisado.

📋 As quatro frentes que a OAB confirmou estarem em revisão no Provimento 205/2021:

  • Redes sociais: mais detalhamento sobre como o advogado pode se comunicar em plataformas como Instagram e LinkedIn
  • Vídeos curtos: orientações específicas para formatos como reels e shorts, hoje sem menção direta no texto de 2021
  • Impulsionamento de conteúdo: regras mais claras sobre patrocinar publicações e anúncios pagos nas redes sociais
  • Inteligência artificial: parâmetros de uso para conteúdo produzido com apoio de IA, mantendo a responsabilidade do advogado sobre tudo que é publicado

⚠️ Nenhuma dessas mudanças está em vigor. A OAB não divulgou data de publicação nem prazo de conclusão para o novo texto. Até a publicação oficial da revisão, o Provimento 205/2021 na redação de 2021, artigo por artigo detalhado logo abaixo, continua integralmente válido e é o que deve orientar qualquer publicidade jurídica hoje.

O relato feito no encontro de dezembro também deixou uma direção clara sobre o tamanho da mudança esperada: o entendimento é de aprimoramento e ajuste de texto, não de reforma ampla. Ou seja, a expectativa é que as vedações centrais da norma atual, tratadas a partir do artigo 3º logo abaixo, permaneçam de pé: nada de captação indevida de cliente, promessa de resultado ou mercantilização da profissão.

Este guia será atualizado no momento em que o Conselho Federal publicar o texto revisado, com o número oficial do novo provimento e a data de vigência. Até lá, siga a leitura abaixo pelo texto que vale agora, artigo por artigo, com o Anexo Único incluído.

Checklist do Provimento 205/2021: o que pode e o que não pode, categoria por categoria

Este é o checklist de consulta rápida do guia: 17 situações de publicidade jurídica, a resposta do texto oficial para cada uma e o dispositivo exato que a sustenta. Use antes de aprovar qualquer peça, campanha ou parceria. Onde a norma tem exceção ou exige leitura cuidadosa, a própria linha da tabela diz isso, e as seções seguintes aprofundam cada ponto com o texto literal.

CategoriaO que o texto oficial dizOnde está
Promessa de resultado e caso concreto na oferta de serviço.Vedado, em qualquer publicidade.Art. 6º e parágrafo único.
Decisão judicial e resultado em imagem, vídeo ou áudio de atuação profissional.Vedado, salvo manifestação espontânea em caso coberto pela mídia.Art. 4º, § 2º.
Vídeo, live, debate e palestra virtualPermitido, sem caso concreto e sem apresentação de resultados.Art. 5º, § 3º, e Anexo Único.
Logomarca, fotos e identidade visualPermitidos. Logomarca e símbolos oficiais da OAB, não.Art. 5º, § 2º.
Marketing de conteúdo (artigo, carrossel, vídeo educativo)Permitido, com anúncio pago ou não, se não houver mercantilização, captação de clientela nem emprego excessivo de recursos financeiros.Art. 4º, caput
Patrocínio e impulsionamento em redes sociaisPermitido, desde que não seja publicidade com oferta de serviços jurídicos.Anexo Único
Meios ou ferramentas que inflam o alcance de forma fraudulenta.Vedado.Art. 4º, § 5º.
Pagar para aparecer em ranking, prêmio ou honraria.Vedado.Art. 5º, § 1º.
Anuários e publicações com lista de escritóriosSó com metodologia clara ou indicação de mera compilação, e sem pagamento como contrapartida.Anexo Único (Anuários)
Anúncio por palavra-chave (Google Ads)Permitido quando responde a busca iniciada pelo potencial cliente. Anúncio ostensivo em plataforma de vídeo, não.Anexo Único
Rádio, cinema, televisão, outdoor, muro e panfletoVedados.Art. 40, incisos I, II, III e VI, do Código de Ética.
Mala direta e comunicação em massaVedada para coletividade. Só para clientes, pessoas de relacionamento pessoal ou quem solicitou ou autorizou.Anexo Único (Correspondências)
Grupo de WhatsAppPermitido apenas em grupo de pessoas determinadas, das relações do advogado ou do escritório.Anexo Único
ChatbotPermitido, sem afastar a pessoalidade nem suprimir a imagem, o poder decisório e as responsabilidades do profissional.Anexo Único (Chatbot)
Aplicativo que responde consultas jurídicas automaticamente a não clientes.Vedado quando usado de forma indiscriminada.Anexo Único (Aplicativos)
Preço, desconto, gratuidade e parcelamentoVedado como forma de captar clientes.Art. 3º, I
Ostentação de veículo, viagem, hospedagem e bens de consumo.Vedada em qualquer publicidade.Art. 6º, parágrafo único.

Fonte: Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB, com Anexo Único, e Código de Ética e Disciplina (Resolução 02/2015).

🔍 Como ler a tabela: “permitido” nunca é carta branca. Toda permissão do Provimento 205/2021 vem condicionada ao caráter informativo, à discrição e à sobriedade, sem captação de clientela nem mercantilização, como exige o caput do artigo 3º. Uma peça que cabe em uma linha de “permitido” ainda precisa passar nas demais.

Para decidir um caso concreto, siga uma ordem simples: primeiro o canal (se é um dos meios vedados pelo Código de Ética), depois o conteúdo (resultado, preço, comparação, especialidade) e por fim a finalidade (se a peça informa ou se induz à contratação). O guia de publicidade para advogados trata dessa mesma sequência pelo lado prático da campanha.

Artigo 1º: a permissão do marketing jurídico e a responsabilidade pessoal

O artigo 1º estabelece o princípio central: “É permitido o marketing jurídico, desde que exercido de forma compatível com os preceitos éticos e respeitadas as limitações impostas pelo Estatuto da Advocacia, Regulamento Geral, Código de Ética e Disciplina e por este Provimento.”

📋 Os dois parágrafos do artigo 1º, que poucos leem com atenção:

  • Parágrafo 1º: a informação veiculada precisa ser objetiva e verdadeira, e a responsabilidade é exclusiva da pessoa física identificada, ou dos sócios administradores quando envolver pessoa jurídica
  • Parágrafo 2º: quando solicitado pela fiscalização da OAB, é preciso comprovar a veracidade da informação, sob pena da infração do artigo 34, inciso XVI, do Estatuto da Advocacia

🏛️ Esse parágrafo 2º costuma passar despercebido, e é um dos mais importantes na prática. Não basta a informação ser verdadeira no momento da publicação. O advogado precisa conseguir comprovar essa veracidade depois, se a fiscalização pedir, o que muda a forma como qualquer estatística ou afirmação deveria ser documentada antes de virar peça publicitária.

Artigo 2º: as oito definições que sustentam toda a norma

O artigo 2º não proíbe nem permite nada diretamente. Define os termos que os demais artigos usam, e é aqui, não no artigo 3º como muito conteúdo repete de forma incorreta, que a distinção entre publicidade ativa e passiva nasce.

📋 As oito definições do artigo 2º, incisos I a VIII:

  • Marketing jurídico: especialização do marketing destinada a profissional da área jurídica
  • Marketing de conteúdos jurídicos: estratégia que usa criação e divulgação de conteúdo jurídico para informar o público
  • Publicidade: meio de tornar pública informação sobre pessoa, ideia, serviço ou produto
  • Publicidade profissional: meio de tornar pública informação do exercício profissional e do perfil do inscrito na OAB
  • Publicidade de conteúdos jurídicos: divulgação voltada a levar conteúdo jurídico ao conhecimento do público
  • Publicidade ativa: divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas, mesmo que não tenham buscado a informação
  • Publicidade passiva: divulgação que atinge só quem buscou a informação, ou quem concordou previamente em recebê-la
  • Captação de clientela: uso ativo de mecanismo de marketing para angariar cliente por indução à contratação ou estímulo ao litígio

🔍 A definição de publicidade ativa e passiva do inciso VI e VII é a distinção mais citada de toda a norma, e a mais mal explicada em conteúdo de terceiro. Não é sobre o canal usado, é sobre quem inicia o contato: se a pessoa já buscava a informação, é passiva. Se a divulgação alcança quem não procurou nada, é ativa.

Artigo 3º: as cinco vedações centrais da publicidade profissional

O artigo 3º estabelece que a publicidade profissional deve ter caráter meramente informativo, primar pela discrição e sobriedade, e não pode configurar captação de clientela nem mercantilização da profissão, listando cinco condutas vedadas.

📋 As cinco vedações do artigo 3º, incisos I a V:

IncisoO que é vedadoNa linguagem do dia a dia
IReferência a valor de honorário, forma de pagamento, gratuidade ou desconto como forma de captar cliente.Falar de preço, parcelamento, “grátis” ou desconto para atrair cliente.
IIDivulgação de informação que possa induzir a erro ou causar dano a cliente, colega ou à sociedade.Qualquer afirmação enganosa ou que possa prejudicar alguém.
IIIAnúncio de especialidade sem título certificado ou notória especialização, nos termos do parágrafo único do art. 3º-A do Estatuto da Advocacia.Dizer que é especialista sem ter o título ou a notória especialização.
IVUso de expressão persuasiva, de autoengrandecimento ou de comparação.Superlativos, autopromoção e comparação com outros profissionais.
VDistribuição indiscriminada de brinde, cartão de visita ou material publicitário em local público, físico ou virtual, salvo em eventos de interesse jurídico.Entregar material publicitário a qualquer pessoa em espaço público ou online.

Fonte: art. 3º, incisos I a V, do Provimento 205/2021 da OAB.

⚠️ O parágrafo 1º do artigo 3º define exatamente o que é sobriedade: divulgação sem ostentação, que torna público o perfil profissional sem incitar diretamente ao litígio ou à contratação, sendo vedada a promoção pessoal. É essa a régua que qualquer conteúdo de marketing jurídico precisa passar antes de publicar.

Captação de clientela: o critério que atravessa todas as categorias

Captação de clientela é o conceito que mais pesa na fiscalização, porque não depende do canal. Um post, um e-mail, um anúncio e um chatbot podem ser permitidos em abstrato e, ainda assim, configurar captação pelo efeito prático da peça. O Provimento 205/2021 define o termo no artigo 2º, inciso VIII, e o Código de Ética e Disciplina o veda no artigo 39.

“Captação de clientela: para fins deste provimento, é a utilização de mecanismos de marketing que, de forma ativa, independentemente do resultado obtido, se destinam a angariar clientes pela indução à contratação dos serviços ou estímulo do litígio.” (Art. 2º, VIII, Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB)

Dois trechos dessa definição pedem leitura lenta. “De forma ativa” coloca o foco em quem toma a iniciativa do contato. “Independentemente do resultado obtido” indica que a infração não depende de a campanha funcionar: o que a norma olha é o mecanismo e o seu destino, que é induzir a contratação ou estimular o litígio.

“A publicidade profissional do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não podendo configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão.” (Art. 39, Código de Ética e Disciplina da OAB)

O Estatuto da Advocacia olha o mesmo problema por outro ângulo. Constitui infração disciplinar tanto valer-se de agenciador de causas, mediante participação nos honorários a receber, quanto angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de terceiros (art. 34, incisos III e IV). A captação, portanto, é vedada pelo Estatuto, pelo Código de Ética e pelo Provimento ao mesmo tempo, cada norma cobrindo um aspecto.

📋 Onde a captação costuma aparecer na prática (leitura da MAB sobre o texto oficial):

  • Abordagem ativa: mensagem direta, ligação ou convite a quem nunca procurou o escritório, que se aproxima da mala direta vedada pelo Anexo Único e pelo artigo 40, inciso VI, do Código de Ética.
  • Anúncio que induz ao litígio: chamadas do tipo “você tem direito a indenização, entre com ação” estimulam o litígio, e o artigo 3º, § 1º, pede divulgação que não incite diretamente ao litígio nem à contratação.
  • Automação sem pessoa: aplicativo que responde consultas jurídicas a não clientes de forma indiscriminada, vedado pelo Anexo Único.
  • Parceria com comissão: pagar terceiro para trazer cliente em troca de participação nos honorários, que é o caso do artigo 34, inciso III, do Estatuto.

🔍 Teste prático de captação (critério da MAB, não texto da norma): pergunte, nesta ordem, quem iniciou o contato, se a peça induz a contratar ou a litigar em vez de informar, e se há oferta de serviço, preço, prazo ou gratuidade. Se a resposta for “o escritório”, “sim” e “sim”, a peça precisa de revisão antes de sair.

Para ver o tema do lado comercial do escritório, o guia sobre como captar clientes na advocacia separa o que é captação ativa do que é atração por conteúdo, e a análise do Grancursos Online sobre a publicidade profissional no novo Código de Ética é uma leitura complementar sobre as regras de publicidade do Código de Ética.

Artigo 4º: publicidade ativa e passiva no marketing de conteúdos, com cinco parágrafos decisivos

O artigo 4º permite o uso de publicidade ativa ou passiva no marketing de conteúdos jurídicos, desde que sem mercantilização, captação de clientela ou emprego excessivo de recurso financeiro, admitindo anúncio pago ou não, respeitados os limites do Anexo Único.

📋 Os cinco parágrafos do artigo 4º, na ordem exata do texto oficial:

  • Parágrafo 1º: é permitida a identificação profissional com qualificação e título, desde que verdadeiro e comprovável
  • Parágrafo 2º: veda referência a decisão judicial e resultado obtido em processo, salvo manifestação espontânea em caso já coberto pela mídia
  • Parágrafo 3º: equipara ao e-mail qualquer dado de contato, incluindo site, rede social e aplicativo de mensagem, podendo constar logotipo com sobriedade
  • Parágrafo 4º: permite publicidade ativa quando o público-alvo é advogado, estagiário ou estudante de direito, para venda de livro, curso ou evento
  • Parágrafo 5º: veda o uso de meio ou ferramenta que influa de forma fraudulenta no impulsionamento ou alcance da publicidade

🏛️ O parágrafo 2º é a base jurídica exata da vedação a mencionar resultado de processo, e o parágrafo 4º é a única exceção real à vedação de publicidade ativa em toda a norma. Fora dessa exceção específica de curso e evento para o próprio meio jurídico, publicidade ativa dirigida ao público em geral segue vedada pelo artigo 6º, discutido adiante.

Marketing de conteúdo pago e impulsionamento: onde termina o permitido

O Provimento 205/2021 permite marketing de conteúdo com investimento em distribuição, inclusive anúncio pago, e é nesse ponto que os escritórios erram para os dois lados: uns acham que anunciar é proibido, outros acham que anunciar libera qualquer peça. O artigo 4º resolve a dúvida com uma condição de finalidade.

“No marketing de conteúdos jurídicos poderá ser utilizada a publicidade ativa ou passiva, desde que não esteja incutida a mercantilização, a captação de clientela ou o emprego excessivo de recursos financeiros, sendo admitida a utilização de anúncios, pagos ou não, nos meios de comunicação, exceto nos meios vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina […]” (Art. 4º, caput, Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB)

As três travas do caput do artigo 4º

  • Mercantilização: tratar o serviço jurídico como mercadoria, com preço, promoção, desconto e urgência de compra. A vedação expressa de preço está no artigo 3º, inciso I.
  • Captação de clientela: definida no artigo 2º, inciso VIII, e tratada na seção anterior deste guia.
  • Emprego excessivo de recursos financeiros: o texto não fixa valor, percentual nem teto de investimento. A avaliação é feita caso a caso pela fiscalização e pelos Tribunais de Ética e Disciplina, e por isso vale documentar a finalidade informativa de cada campanha.

A pergunta mais comum é “posso patrocinar um post?”. O Anexo Único responde de forma direta.

“Permitido, desde que não se trate de publicidade contendo oferta de serviços jurídicos.” (Anexo Único, “Patrocínio e impulsionamento nas redes sociais”, Provimento 205/2021)

A linha divisória, portanto, não é o dinheiro, é o conteúdo do anúncio. Impulsionar um artigo, um carrossel educativo ou o convite para uma live é distribuir conteúdo informativo. Impulsionar um anúncio que oferece o serviço em rede social é o que o Anexo Único veda. Já o anúncio por palavra-chave, como o Google Ads, tem regra própria no Anexo: é permitido quando responde a uma busca iniciada pelo potencial cliente.

O Desmistificando, em guia de 28 de maio de 2024 sobre impulsionar publicação, dá três exemplos que se encaixam nessa leitura: um artigo de blog impulsionado, uma postagem em carrossel no Instagram e uma live no YouTube divulgada com anúncios. E, segundo a matéria da AASP de 26 de novembro de 2021 sobre o painel do Encontro Digital AASP, com a relatora do Provimento, Sandra Krieger Gonçalves, a conclusão foi que, com bom senso e ética, é possível patrocinar anúncios e links nas redes sociais, e que a publicidade, inclusive a patrocinada, deve ter caráter informativo.

Impulsionamento fraudulento: o que o artigo 4º, § 5º, veda

“É vedada a publicidade a que se refere o caput mediante uso de meios ou ferramentas que influam de forma fraudulenta no seu impulsionamento ou alcance.” (Art. 4º, § 5º, Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB)

O texto não lista as ferramentas proibidas. A leitura prática usual inclui compra de seguidores, curtidas e visualizações, robôs de engajamento e redes de perfis falsos, porque todos simulam um alcance que a peça não teve. Impulsionar pela própria plataforma, com anúncio identificado, é o oposto disso: é meio regular de distribuição. Para quem vai investir em mídia paga, o guia de tráfego pago para advogados detalha Google Ads e Meta Ads dentro dessas regras.

🔎 Regra de bolso: o dinheiro pode comprar a distribuição de um conteúdo informativo. Não pode comprar posição de destaque (art. 5º, § 1º), nem alcance falso (art. 4º, § 5º), nem a oferta direta de serviço em rede social (Anexo Único).

Provimento 205/2021

Artigo 5º: anúncio pago, ranking e uso de imagem

O artigo 5º permite anúncio pago ou não nos meios de comunicação não vedados pelo artigo 40 do Código de Ética, com três parágrafos que tratam de situação específica e recorrente na prática do marketing jurídico.

📋 Os três parágrafos do artigo 5º:

  • Parágrafo 1º: veda pagamento, patrocínio ou qualquer despesa para viabilizar aparição em ranking, prêmio ou honraria que destaque profissional
  • Parágrafo 2º: permite logomarca e foto do advogado e do escritório, vedando o uso de símbolo oficial da OAB
  • Parágrafo 3º: permite participação em vídeo ao vivo ou gravado, desde que sem uso de caso concreto ou apresentação de resultado

🔍 O parágrafo 1º é o fundamento exato que torna vedado qualquer “selo de melhor advogado” comprado, mesmo quando a divulgação em si parece inofensiva. O problema nunca é aparecer na lista, é pagar para aparecer nela.

Imagem, vídeo e áudio de atuação profissional: o que cada parágrafo permite

Três dispositivos tratam de imagem, vídeo e áudio, e costumam ser confundidos: o artigo 4º, § 2º, que fala da divulgação de atuação profissional em audiências e sustentações orais; o artigo 5º, § 2º, que libera logomarca e fotos; e o artigo 5º, § 3º, sobre vídeos, debates e palestras virtuais. Cada um tem alcance próprio.

“Na divulgação de imagem, vídeo ou áudio contendo atuação profissional, inclusive em audiências e sustentações orais, em processos judiciais ou administrativos, não alcançados por segredo de justiça, serão respeitados o sigilo e a dignidade profissional e vedada a referência ou menção a decisões judiciais e resultados de qualquer natureza obtidos em procedimentos que patrocina ou participa de alguma forma, ressalvada a hipótese de manifestação espontânea em caso coberto pela mídia.” (Art. 4º, § 2º, Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB)

O parágrafo tem três camadas. A primeira é o alcance: imagem, vídeo e áudio com atuação profissional, o que inclui audiências e sustentações orais gravadas. A segunda é a regra: sigilo e dignidade profissional respeitados, sem referência ou menção a decisões e a resultados de qualquer natureza. A terceira é a única exceção: a manifestação espontânea em caso coberto pela mídia.

⚠️ A exceção é estreita. Ela fala de manifestação espontânea sobre caso já coberto pela imprensa, e não autoriza usar o resultado para oferecer o serviço, porque o artigo 6º veda, na publicidade ativa, a menção à promessa de resultados e o uso de casos concretos para a oferta de atuação profissional. Na dúvida, trate o resultado como não divulgável.

Para vídeo, live, debate e palestra virtual, a regra específica é a do artigo 5º, § 3º: a participação é permitida, “desde que observadas as regras dos arts. 42 e 43 do CED, sendo vedada a utilização de casos concretos ou apresentação de resultados”. O artigo 43 do Código de Ética pede que a participação tenha objetivos “exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos”, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, e o artigo 42, inciso IV, veda divulgar a lista de clientes e demandas.

Há um detalhe de leitura que vale registrar: o § 3º do artigo 5º não repete a ressalva da mídia que o § 2º do artigo 4º traz. Por isso, em vídeo e live, a leitura mais segura é não usar caso concreto nem resultado, nem em tom de comentário. Essa é uma interpretação prudente da MAB sobre o texto, não uma regra expressa.

A parte permissiva está no artigo 5º, § 2º: é permitida a utilização de logomarca e imagens, inclusive fotos dos advogados e do escritório, assim como a identidade visual nos meios de comunicação profissional, sendo vedada a utilização de logomarca e símbolos oficiais da OAB.

Antes de gravar: seis checagens

  • Roteiro revisado por escrito, principalmente em live, onde o improviso empurra para o “caso rapidinho”.
  • Nenhum processo identificável: nome de parte, número, valor ou decisão específica ficam fora da peça.
  • Nenhuma promessa de resultado, nem implícita, como “sempre ganhamos” ou “causa quase certa”.
  • Nenhuma lista de clientes ou demandas (art. 42, IV, do Código de Ética).
  • Cenário sem ostentação: sem carro, viagem ou bem de consumo em destaque (art. 6º, parágrafo único).
  • Tom ilustrativo, educativo e instrutivo, sem autopromoção (art. 43 do Código de Ética).

O mesmo vale para Instagram, YouTube e TikTok: o formato muda, as vedações não. O vídeo curto pede cuidado extra, porque a pressa de gravar costuma ser o ponto em que o caso concreto escapa.

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Artigo 6º: o que é vedado especificamente na publicidade ativa

O artigo 6º é curto e específico: veda, na publicidade ativa, qualquer informação sobre dimensão, qualidade ou estrutura física do escritório, e veda menção a promessa de resultado ou uso de caso concreto para oferta de atuação.

⚠️ O parágrafo único do artigo 6º amplia essa vedação para qualquer publicidade, não só a ativa: é vedada a ostentação de bem relacionado ou não ao exercício da profissão, como veículo, viagem, hospedagem e bem de consumo. Essa é a base normativa exata contra o tipo de conteúdo que mostra escritório luxuoso ou estilo de vida como forma de atrair cliente.

Canais vedados pelo Código de Ética que o Provimento 205/2021 não revogou

O Provimento 205/2021 não criou uma lista própria de meios proibidos: ele manda observar o artigo 40 do Código de Ética e Disciplina. O artigo 4º admite anúncios, pagos ou não, “exceto nos meios vedados pelo art. 40”, e o artigo 5º repete a remissão. Quem conhece só o Provimento e ignora o artigo 40 conhece metade da regra de canais.

📋 O que o artigo 40 do Código de Ética veda, nas palavras do texto:

  • Rádio, cinema e televisão: “a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão” (inciso I).
  • Outdoor e painel: “o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade” (inciso II).
  • Muros, veículos e elevadores: “as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público” (inciso III).
  • Divulgação conjunta com outra atividade: “a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação de vínculos entre uns e outras” (inciso IV), o que conversa com o artigo 8º do Provimento.
  • Dados de contato em colunas e artigos: o inciso V restringe o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas e artigos, admitindo a referência ao e-mail. O Provimento, no artigo 4º, § 3º, equipara ao e-mail todos os dados de contato e meios de comunicação do escritório, inclusive site, redes sociais e aplicativos de mensagem.
  • Mala direta e panfleto: “a utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela” (inciso VI).

A única ressalva do artigo 40 está no parágrafo único e é de identificação, não de publicidade: “Exclusivamente para fins de identificação dos escritórios de advocacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas no artigo 39.” O Anexo Único do Provimento, mais recente, detalha a placa de identificação e não admite que seja luminosa, como as que se veem em farmácias e lojas de conveniência.

Três outros artigos do Código completam o quadro dos meios:

  • Artigo 41: as colunas mantidas pelo advogado nos meios de comunicação “não deverão induzir o leitor a litigar nem promover, dessa forma, captação de clientela”.
  • Artigo 45: o patrocínio de eventos ou publicações de caráter científico ou cultural e a divulgação de boletins sobre matéria cultural de interesse dos advogados são admissíveis, “desde que sua circulação fique adstrita a clientes e a interessados do meio jurídico”.
  • Artigo 46, parágrafo único: “A telefonia e a internet podem ser utilizadas como veículo de publicidade, inclusive para o envio de mensagens a destinatários certos, desde que estas não impliquem o oferecimento de serviços ou representem forma de captação de clientela.”

🏛️ O parágrafo único do artigo 46 é o que separa uma newsletter ou uma mensagem de WhatsApp enviada a quem pediu o conteúdo de uma mala direta vedada. O Anexo Único confirma por outro caminho: cartas e comunicações só podem ir a clientes, a pessoas de relacionamento pessoal ou a quem as solicite ou autorize previamente, sem caráter mercantilista, sem captação e sem oferecimento de serviços.

O texto desses artigos está reproduzido na análise do Migalhas sobre publicidade na advocacia, e o Migalhas também comenta a publicidade profissional no novo Código de Ética. Para a operação do dia a dia, vale ler junto os guias de e-mail marketing para advogados e de WhatsApp para advogados.

Quando o escritório contrata um fornecedor que atende vários setores, peça a lista dos meios vedados pelo artigo 40 antes de aprovar o plano de mídia. Planos genéricos costumam incluir rádio, outdoor ou panfleto, e, na advocacia, esses meios já nascem vedados.

Artigos 7º e 8º: reputação da classe e vedação de vínculo com outra atividade

O artigo 7º estende a norma para além do exercício direto da advocacia: qualquer divulgação, mesmo sem relação com a atuação profissional, que possa atingir a reputação da classe, também precisa respeitar o Provimento.

O artigo 8º veda vincular o serviço advocatício a outra atividade, com exceção do magistério, mesmo que complementar. O parágrafo único esclarece que atuar em coworking não é infração, mas é vedado divulgar a advocacia junto com outra atividade que compartilhe o mesmo espaço.

Artigo 9º: o Comitê Regulador do Marketing Jurídico, composição real

O artigo 9º criou o Comitê Regulador do Marketing Jurídico, órgão consultivo vinculado à Diretoria do Conselho Federal, com composição definida em cinco incisos.

📋 Quem compõe o Comitê Regulador, segundo o artigo 9º:

  • Cinco Conselheiros Federais, um de cada região do país, indicados pela Diretoria do CFOAB
  • Um representante do Colégio de Presidentes de Seccionais
  • Um representante indicado pelo Colégio de Presidentes dos Tribunais de Ética e Disciplina
  • Um representante da Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional
  • Um representante do Colégio de Presidentes das Comissões da Jovem Advocacia

O parágrafo 1º estabelece que o Comitê se reúne periodicamente para acompanhar a evolução dos critérios do Anexo Único, podendo propor alteração ao Conselho Federal. Isso significa que o Anexo Único, mais do que os 13 artigos, é a parte da norma com maior chance de atualização ao longo do tempo.

Artigos 10 a 13: fiscalização, o Anexo Único e a vigência

Os últimos quatro artigos fecham a estrutura formal da norma. O artigo 10 permite que a Seccional conceda poder coercitivo à Comissão de Fiscalização, para expedir notificação que dê efetividade ao Provimento.

O artigo 11 estabelece que o Anexo Único é parte integrante do Provimento, não um anexo opcional ou complementar. O artigo 12 revoga expressamente o Provimento 94/2000, com parágrafo único esclarecendo que a norma não se aplica a eleição do sistema OAB. O artigo 13 fixa a vigência em 30 dias após a publicação no Diário Eletrônico da OAB, ocorrida em 21 de julho de 2021.

O Anexo Único: a parte mais aplicada e mais ignorada da norma

O Anexo Único traz uma tabela com critério específico para situação concreta, algo que os 13 artigos, mais principiológicos, não cobrem em detalhe. É aqui que vive a resposta prática pra dúvida sobre chatbot, Google Ads e grupo de WhatsApp.

📋 Itens do Anexo Único mais relevantes para marketing jurídico digital:

  • Aquisição de palavra-chave, a exemplo do Google Ads: permitida quando responsiva a busca iniciada pelo potencial cliente, vedado anúncio ostensivo em plataforma de vídeo
  • Chatbot: permitido para facilitar comunicação, vedado afastar a pessoalidade ou suprimir o poder decisório e a responsabilidade do profissional
  • Grupos de WhatsApp: permitida divulgação em grupo de pessoas determinadas das relações do advogado, respeitando as demais normas
  • Correspondências e mala direta: envio a uma coletividade é expressamente vedado, permitido só para cliente ou relação pessoal que solicite ou autorize
  • Redes sociais: permitida presença, desde que o conteúdo respeite o Código de Ética e o próprio Provimento
  • Lives e YouTube: permitidas, com o mesmo respeito às normas gerais
  • Patrocínio e impulsionamento nas redes sociais: permitido, desde que não seja publicidade com oferta de serviço jurídico
  • Cartão de visita: deve conter nome, número de inscrição na OAB e nome da sociedade, se houver

📌 O item sobre chatbot é especialmente relevante para quem usa ferramenta de inteligência artificial no site ou no atendimento: a IA pode facilitar comunicação e coletar informação inicial, nunca substituir a pessoalidade nem suprimir o poder decisório do profissional. Essa é a régua exata que vale para qualquer automação usada na advocacia hoje.

🔍 O item de aquisição de palavra-chave é a base normativa exata que permite Google Ads pra advogado, com uma condição clara: o anúncio precisa responder a uma busca que o próprio potencial cliente já iniciou. Campanha de vídeo ostensiva, empurrada pra quem não buscou nada, está fora da permissão.

📎 Outros itens do Anexo Único, fora do digital, que seguem a mesma fiscalização:

  • Anuários e rankings: só permite participação em publicação que explique com clareza a metodologia usada para a inclusão, ou que deixe claro se tratar de mera compilação sem critério; é vedado pagar, patrocinar ou bancar qualquer despesa para aparecer como prêmio ou posição de ranking
  • Criação de conteúdo, palestras e artigos: precisa manter caráter técnico e informativo, sem divulgar resultado concreto obtido, nome de cliente, valor cobrado ou gratuidade do serviço
  • Ferramentas tecnológicas em geral: podem tornar o trabalho mais eficiente, desde que nunca substituam a imagem, o poder de decisão e a responsabilidade do profissional
  • Petições, pastas e materiais impressos do escritório: podem trazer nome, nome social, endereço físico e eletrônico, telefone e logotipo, nada além disso
  • Placa de identificação: pode ficar afixada no escritório ou na residência, nunca luminosa como em farmácia ou loja de conveniência, sem tamanho fixo pré-estabelecido, só proporcional à fachada

📌 Esses cinco itens raramente aparecem em conteúdo sobre o tema porque não têm nada a ver com marketing digital. Mas caem na mesma fiscalização dos itens digitais — anuário pago, palestra que cita resultado de cliente, placa luminosa ou papelaria fora do padrão são motivo comum de notificação em escritório tradicional que nem considerava aquilo publicidade. Se a dúvida for saber se advogado pode fazer propaganda, essa é a pergunta seguinte que este guia responde.

Anuários, rankings e prêmios: o que o Anexo Único permite de fato

Duas regras tratam do assunto, uma no artigo 5º e outra no Anexo Único, e elas se complementam. Entender as duas evita o erro mais comum: achar que qualquer lista de “melhores advogados” é proibida, ou que qualquer selo é aceitável.

“É vedado o pagamento, patrocínio ou efetivação de qualquer outra despesa para viabilizar aparição em rankings, prêmios ou qualquer tipo de recebimento de honrarias em eventos ou publicações, em qualquer mídia, que vise destacar ou eleger profissionais como detentores de destaque.” (Art. 5º, § 1º, Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB)

“Somente é possível a participação em publicações que indiquem, de forma clara e precisa, qual a metodologia e os critérios de pesquisa ou de análise que justifiquem a inclusão de determinado escritório de advocacia ou advogado(a) na publicação, ou ainda que indiquem que se trata de mera compilação de escritórios ou advogados(as).” (Anexo Único, “Anuários”, Provimento 205/2021)

O mesmo item do Anexo ainda fecha a porta do pagamento: “É vedado o pagamento, patrocínio ou efetivação de qualquer outra despesa para viabilizar anúncios ou aparição em publicações como contrapartida de premiação ou ranqueamento.” Lendo as duas regras juntas, participar é permitido quando a publicação mostra a metodologia ou se declara mera compilação, e pagar para estar na lista, no prêmio ou no ranking é vedado.

🔍 A palavra que decide é “contrapartida”. O que a norma proíbe é a troca: despesa em contrapartida de premiação ou ranqueamento. Se a publicação oferece um pacote que mistura anúncio e destaque, a leitura mais segura é recusar o pacote.

Cinco perguntas antes de aceitar um convite de ranking ou selo

  • Quem organiza, e a metodologia está publicada de forma clara e precisa?
  • Se não há critério, a publicação se declara mera compilação?
  • Existe cobrança de qualquer valor ligada à inclusão, à premiação ou ao evento?
  • O selo pode ser exibido de forma informativa, com nome, ano e critério, em vez de forma superlativa?
  • O texto de divulgação evita “melhor”, “número 1” e comparação, vedados pelo artigo 3º, inciso IV?

Um prêmio recebido sem pagamento e com metodologia pode ser comunicado, mas dentro da sobriedade do artigo 3º: nome do prêmio, ano e critério, sem autoelogio. Fornecedores que vendem “selo de melhor escritório” merecem a mesma triagem descrita no guia de como escolher uma agência de marketing jurídico.

Chatbot, aplicativos de resposta automática e IA: onde está a linha

O Anexo Único trata do assunto em dois itens diferentes, e a diferença entre eles decide se uma ferramenta de atendimento automático é permitida. O primeiro libera o chatbot. O segundo veda o aplicativo que responde consulta jurídica de forma indiscriminada.

“Permitida a utilização para o fim de facilitar a comunicação ou melhorar a prestação de serviços jurídicos, não podendo afastar a pessoalidade da prestação do serviço jurídico, nem suprimir a imagem, o poder decisório e as responsabilidades do profissional.” (Anexo Único, “Chatbot”, Provimento 205/2021)

“Não é admitida a utilização de aplicativos de forma indiscriminada para responder automaticamente consultas jurídicas a não clientes por suprimir a imagem, o poder decisório e as responsabilidades do profissional, representando mercantilização dos serviços jurídicos.” (Anexo Único, “Aplicativos para responder consultas jurídicas”, Provimento 205/2021)

Note o detalhe que muitos resumos perdem: a vedação fala em consultas jurídicas a não clientes, respondidas de forma automática e indiscriminada. As palavras “indiscriminada” e “não clientes” são o centro da regra.

O que o próprio Anexo Único dá como exemplo permitido

  • Responder as primeiras dúvidas de um potencial cliente no site do escritório.
  • Encaminhar as primeiras informações sobre a atuação do escritório.
  • Coletar dados, informações ou documentos.

Ficam de fora, pela leitura da MAB, a resposta de mérito, o parecer e a orientação jurídica personalizada gerados sem o advogado e entregues a quem ainda não é cliente.

E a inteligência artificial? O texto de 2021 não menciona IA generativa, mas os mesmos critérios valem para qualquer ferramenta: facilitar pode, substituir a pessoalidade e o poder decisório não. A própria OAB confirmou que parâmetros de uso de IA estão entre as frentes da revisão em andamento, como detalha a seção sobre a revisão no início deste guia, e até o novo texto sair vale a redação vigente. O artigo 1º, § 1º, mantém a responsabilidade sobre tudo o que for publicado nas pessoas identificadas.

📋 Salvaguardas práticas para chatbot e IA (boas práticas da MAB, não exigência literal do texto):

  • Mensagem inicial clara de que o canal é automatizado e de que o atendimento jurídico é feito por advogado.
  • Respostas limitadas a informação institucional, triagem e coleta de dados, sem parecer.
  • Encaminhamento para atendimento humano a partir de qualquer pergunta de mérito.
  • Aviso de privacidade e base legal para os dados coletados, como trata a seção de LGPD deste guia.
  • Revisão periódica das respostas, com registro de data e responsável.

Para escolher e configurar ferramentas com esse cuidado, veja os guias de ChatGPT para advogados, de Claude para advogados e o comparativo da melhor IA para advogados.

As sanções disciplinares reais, e onde estão previstas

Conhecer a vedação não é suficiente sem entender a consequência real do descumprimento, prevista fora do próprio Provimento 205/2021, no Estatuto da Advocacia e no Código de Ética.

📋 As quatro sanções disciplinares previstas no artigo 35 do Estatuto da Advocacia:

  • Censura: a sanção mais leve, aplicável a infrações dos incisos I a XVI e XXIX do artigo 34 e à violação de preceito do Código de Ética e Disciplina (art. 36). Consta dos assentamentos após o trânsito em julgado, sem publicidade (art. 35, parágrafo único), e pode ser convertida em advertência em ofício reservado quando há atenuante.
  • Suspensão: interdição do exercício profissional em todo o território nacional, de 30 dias a 12 meses (art. 37, § 1º). É aplicada nas infrações dos incisos XVII a XXV e XXX do artigo 34 e na reincidência em infração disciplinar.
  • Exclusão: aplicável após três suspensões ou nas infrações dos incisos XXVI a XXVIII do artigo 34, e exige voto favorável de dois terços dos membros do Conselho Seccional (art. 38).
  • Multa: varia de uma anuidade ao décuplo dela e é aplicada em conjunto com a censura ou a suspensão, quando há circunstâncias agravantes (art. 39).

⚠️ O processo disciplinar tramita em sigilo até o seu término, e só as partes, seus defensores e a autoridade judiciária competente têm acesso às informações (art. 72, § 2º, do Estatuto da Advocacia). A censura não pode ser objeto de publicidade (art. 35, parágrafo único), mas o custo de um processo não se resume à sanção: há tempo, defesa e desgaste, e a reincidência em infração disciplinar leva à suspensão (art. 37, inciso II) e, depois de três suspensões, à exclusão (art. 38, inciso I). O trâmite é conduzido pelo Tribunal de Ética e Disciplina da seccional.

Casos práticos comuns: aplicando os artigos certos a situações reais

Alguns cenários aparecem com frequência na rotina de qualquer escritório, e vale mapear cada um contra o artigo correto, em vez de tratar como regra genérica de “publicidade proibida” sem citar a base normativa específica.

📋 Cenários comuns e o artigo exato que rege cada um:

CenárioO que a norma dizOnde está
Post no Instagram elogiando resultado de um processo, mesmo sem citar nome de cliente.Vedado, salvo manifestação espontânea sobre caso já coberto pela mídia.Art. 4º, § 2º.
Anúncio pago mostrando fachada do escritório com múltiplos andares e salas amplas.Vedado, por relacionar-se a estrutura física em publicidade ativa.Art. 6º
Depoimento gravado de cliente satisfeito, publicado com autorização expressa.Ainda assim vedado, porque o artigo proíbe uso de caso concreto em vídeo, independente de autorização.Art. 5º, § 3º.
E-mail em massa oferecendo consulta gratuita para lista comprada de contatos.Vedado, por configurar mala direta para coletividade.Anexo Único, item de correspondências.
Chatbot que responde dúvida jurídica completa sem qualquer intervenção humana posterior.Vedado, por suprimir o poder decisório do profissional.Anexo Único, item de chatbot.

Fonte: Provimento 205/2021 da OAB e Anexo Único.

🔍 O cenário do depoimento com autorização é o mais mal compreendido de todos. A autorização do cliente não libera a publicação, porque a vedação do artigo 5º, parágrafo 3º, protege a integridade da própria profissão, não apenas a privacidade individual daquele cliente específico que autorizou.

Os erros de leitura do Provimento 205/2021 que mais custam caro

A maioria das infrações reais não nasce de má-fé, nasce de leitura apressada de uma categoria isolada da norma. Estes são os cinco erros de leitura mais frequentes, cada um com a correção baseada no texto oficial.

  • “Impulsionar é proibido”: não é. O artigo 4º admite anúncios, pagos ou não, e o Anexo Único permite patrocínio e impulsionamento. Quem deixa de investir em conteúdo educativo por esse medo abre mão de uma estratégia permitida.
  • “Se impulsionar pode, qualquer anúncio pode”: também não. O Anexo Único veda o impulsionamento em redes sociais de publicidade que contenha oferta de serviços jurídicos.
  • “Rede social é zona livre”: o Anexo Único permite a presença nas redes sociais, desde que o conteúdo respeite o Código de Ética e o Provimento. A informalidade da plataforma não muda a régua.
  • “A autorização do cliente resolve”: não resolve. O artigo 4º, § 2º, e o artigo 5º, § 3º, protegem o sigilo e a dignidade da profissão, não só a vontade do cliente que autorizou.
  • “Li um resumo, então conheço a regra”: resumos de terceiros, como os guias do Advbox e do Projuris, servem de segundo olhar, mas só o texto do Provimento no site da OAB resolve dúvida de numeração. Compare a citação com a fonte antes de repetir.

🏛️ O erro que atravessa todos os outros é ler uma categoria como se fosse a regra inteira. Uma peça pode estar correta quanto ao canal e errada quanto ao conteúdo, ou o inverso. Por isso o checklist de bolso, logo adiante, olha as duas coisas.

O que muda entre publicidade profissional e conteúdo educativo

Uma distinção prática que o texto da norma não nomeia diretamente, mas que decorre da leitura conjunta dos artigos, é a diferença entre publicidade profissional propriamente dita e conteúdo educativo de caráter geral sobre tema jurídico.

Um artigo de blog explicando, em termos gerais, como funciona a rescisão indireta do contrato de trabalho, sem qualquer menção ao escritório específico que pode resolver aquele problema, tende a ficar mais distante das vedações do artigo 3º e do artigo 4º, porque seu caráter é primariamente informativo sobre o direito em si, não sobre a atuação profissional de quem escreve.

📌 Isso não significa que conteúdo educativo esteja imune a qualquer vedação. Ele ainda precisa ser objetivo e verdadeiro, conforme o artigo 1º, parágrafo 1º, e ainda não pode usar linguagem persuasiva ou comparativa, conforme o artigo 3º, inciso IV. A diferença é de grau, não de isenção total da norma.

Escritórios que produzem conteúdo com essa distinção em mente tendem a ter mais espaço de manobra para produzir material extenso e tecnicamente profundo, exatamente o tipo de conteúdo que mais gera autoridade digital real, sem esbarrar nas vedações mais estritas que a norma reserva para a publicidade diretamente institucional do escritório.

Como aplicar essa leitura ao marketing digital na prática

Reunindo os artigos discutidos, a régua prática pra qualquer conteúdo digital de escritório fica mais clara do que a maioria dos guias sobre o tema apresenta.

📋 Checklist de aplicação prática, artigo por artigo:

  • O conteúdo é objetivo e verdadeiro, e você conseguiria comprová-lo se a OAB pedisse, conforme o artigo 1º
  • Não menciona valor de honorário nem usa expressão persuasiva, conforme o artigo 3º
  • Não menciona decisão ou resultado de processo, salvo manifestação espontânea sobre caso já na mídia, conforme o artigo 4º, parágrafo 2º
  • Não paga por aparição em ranking, conforme o artigo 5º, parágrafo 1º
  • Se for publicidade ativa, não menciona estrutura do escritório nem promessa de resultado, conforme o artigo 6º
  • Se usar chatbot ou automação, mantém revisão humana e poder decisório do profissional, conforme o Anexo Único

Nenhuma agência de marketing consegue garantir compliance perfeito de forma automática. O que qualquer escritório deveria exigir é que cada peça publicada passe por essa checagem artigo por artigo antes de ir ao ar, com a numeração certa, não com regra atribuída ao artigo errado.

Checklist de bolso: 12 perguntas antes de publicar qualquer peça

Este é o resumo operacional do guia. Cada pergunta leva ao dispositivo que a fundamenta, para que a revisão seja feita com a numeração certa, e não por impressão.

  • Promessa de resultado: a peça promete resultado ou usa caso concreto para oferecer serviço? (art. 6º e parágrafo único)
  • Decisão e resultado: menciona decisão judicial ou resultado em imagem, vídeo ou áudio? (art. 4º, § 2º, e art. 5º, § 3º)
  • Preço: fala de honorário, desconto, gratuidade ou parcelamento para atrair cliente? (art. 3º, I)
  • Autoelogio: usa superlativo, comparação ou expressão persuasiva, como “o melhor” ou “número 1”? (art. 3º, IV)
  • Especialidade: anuncia especialidade sem título certificado ou notória especialização? (art. 3º, III)
  • Anúncio pago: o anúncio oferece serviço jurídico em rede social, ou só impulsiona conteúdo informativo? (Anexo Único)
  • Alcance falso: alguma ferramenta infla alcance ou engajamento de forma fraudulenta? (art. 4º, § 5º)
  • Ranking: houve pagamento para aparecer em ranking, prêmio ou anuário? (art. 5º, § 1º, e Anexo Único)
  • Canal: o meio é vedado, como rádio, TV, outdoor, muro ou panfleto? (art. 40 do Código de Ética)
  • Iniciativa do contato: o escritório procura quem nunca o procurou? (art. 2º, VI a VIII, e Anexo Único)
  • Automação: o chatbot ou a IA responde consulta a não clientes sem pessoalidade e sem revisão humana? (Anexo Único)
  • Comprovação: você consegue comprovar cada informação se a OAB pedir? (art. 1º, § 2º)

✅ Como ler o resultado: um “sim” nas perguntas 1 a 11, ou um “não” na pergunta 12, é motivo para revisar a peça antes de publicar. O checklist elimina os erros mais comuns, mas não substitui análise caso a caso. Situações híbridas, como um formato novo de mídia ou uma parceria com empresa de outro setor, merecem consulta ao Tribunal de Ética e Disciplina da seccional ou a um especialista em ética profissional.

Do checklist ao processo: como o escritório documenta a conformidade

Um checklist só protege quando vira rotina. O artigo 1º, § 2º, exige que a veracidade das informações seja comprovada quando a fiscalização pedir, e o artigo 1º, § 1º, concentra a responsabilidade nas pessoas identificadas. Isso pede um processo simples e documentado.

  • Responsável pela aprovação: uma pessoa identificada aprova cada peça antes de ir ao ar, com a data registrada.
  • Pasta de comprovação: guarde a fonte de cada dado, estatística e título, porque a comprovação pode ser exigida (art. 1º, § 2º).
  • Origem de cada cliente: registre no CRM do escritório se o cliente veio de busca orgânica, indicação espontânea ou campanha, o que separa o contato iniciado pelo cliente do contato iniciado pelo escritório.
  • Funil com ponto de checagem: o funil de vendas para advogados e a qualificação de leads precisam de uma etapa de conformidade, não só de conversão.
  • Contrato com fornecedor: a responsabilidade perante a OAB é do advogado, e o contrato deve prever quem corrige uma peça irregular e em que prazo.
  • Concorrência com olhar de conformidade: a análise de concorrência deve registrar também o que os concorrentes fazem fora da régua, para o escritório não copiar o erro.

Feche o ciclo com a revisão periódica do que já está no ar, como descreve a seção sobre auditoria de conteúdo publicado, mais adiante neste guia.

LGPD e Provimento 205/2021: duas normas que precisam conversar

O Provimento 205/2021 regula o que pode ser dito na publicidade. A Lei 13.709/2018 regula como o dado pessoal captado através dessa publicidade, formulário de contato, chatbot ou anúncio pode ser tratado depois. Qualquer formulário de captação de lead no site de um escritório está sujeita ainda à LGPD, independente do cuidado já tomado com o Provimento.

🏛️ Isso significa que um site tecnicamente correto quanto ao Provimento 205/2021 ainda pode ter problema de compliance se o formulário de contato não informar a base legal de tratamento do dado coletado, ou se não houver política de privacidade clara sobre retenção dessa informação. O tratamento desse tipo de dado pessoal fica acompanhado pela ANPD em nível federal, órgão distinto da OAB e com competência própria.

Vale registrar essa distinção porque a maioria do conteúdo sobre o Provimento 205/2021 trata compliance como assunto exclusivamente de OAB, quando na prática qualquer captação digital de cliente cruza as duas normas ao mesmo tempo, com fiscalizações e consequências completamente diferentes uma da outra.

Onde acompanhar atualização real da norma

O Comitê Marketing Jurídico mantém canal institucional próprio dentro do site da OAB, e é a fonte mais confiável para acompanhar qualquer atualização futura do Anexo Único, já que o próprio artigo 9º prevê revisão periódica dos critérios.

📋 Onde verificar informação atualizada sobre a norma, além deste guia:

  • Análises técnicas do setor jurídico acompanham o tema com frequência, cobrindo interpretação de tribunal de ética específico
  • Veículos especializados do mercado jurídico registram o debate sobre publicidade e captação de forma contínua
  • A cobertura técnica do sistema de Justiça complementa esse panorama com perspectiva institucional mais ampla
  • A publicação oficial das normas vigentes permanece a fonte primária para qualquer atualização futura da regulação

O Conselho Nacional de Justiça também regula tema correlato de publicidade e transparência no sistema de Justiça como um todo, ainda que sem competência direta sobre a advocacia, o que reforça a tendência regulatória mais ampla nesse campo. Qualquer dúvida sobre interpretação específica de um caso concreto pode ser esclarecida conforme o Portal da Ética e Disciplina da própria OAB, canal oficial dedicado a esse tipo de consulta.

Para escritório que quer confirmar registro próprio antes de qualquer campanha de marketing, o número de inscrição do profissional pode ser consultado no Cadastro Nacional mantido pela própria Ordem, o mesmo dado que o Anexo Único (item sobre cartão de visitas) e o artigo 44 do Código de Ética exigem constar em cartão de visita e material de escritório. O texto integral do Provimento 205/2021, junto de qualquer atualização futura do Anexo Único, é publicado pela Ordem dos Advogados do Brasil em seu canal oficial de documentos institucionais.

Como auditar o conteúdo já publicado contra a norma

A maioria dos escritórios que procura orientação sobre o Provimento 205/2021 já tem conteúdo publicado há meses ou anos, produzido antes de qualquer revisão de compliance estruturada. Vale um processo específico para essa auditoria retroativa, diferente da checagem de conteúdo novo antes da publicação.

📋 Passos para auditar conteúdo antigo contra o Provimento 205/2021:

  • Levantar todo o material publicado nos últimos dois anos: site, blog, redes sociais e qualquer campanha paga ainda ativa
  • Classificar cada peça por tipo de risco, separando o que menciona resultado de processo, valor de honorário ou usa linguagem comparativa
  • Priorizar a correção do material com maior alcance atual, começando pelo que ainda recebe tráfego ou engajamento relevante
  • Documentar a data e o motivo de cada correção realizada, criando histórico próprio caso a fiscalização solicite explicação futura
  • Repetir esse processo periodicamente, não como ação única, já que o próprio Anexo Único pode ser atualizado pelo Comitê Regulador

⚠️ Material antigo que permanece no ar sem revisão é risco silencioso. A norma não distingue conteúdo novo de conteúdo antigo: uma peça publicada em 2022, ainda visível hoje, está sujeita à mesma fiscalização que uma peça publicada essa semana, e o tempo decorrido não reduz a exposição ao risco disciplinar.

Vale registrar por escrito, mesmo que informalmente, cada decisão de manter ou remover uma peça de conteúdo antigo durante essa auditoria. Esse registro serve como demonstração de boa-fé e de esforço de compliance ativo, caso o escritório precise comprovar, no futuro, que já vinha adotando postura preventiva antes de qualquer questionamento formal da OAB.

O papel da agência de marketing na responsabilidade compartilhada

O artigo 1º, parágrafo 1º, deixa claro que a responsabilidade legal recai sobre o advogado identificado, nunca sobre a agência contratada. Isso não significa, porém, que a escolha da agência seja irrelevante para o nível de risco que o escritório assume na prática.

Uma agência que desconhece a numeração correta dos artigos, como boa parte do conteúdo disponível publicamente sobre o tema, tende a cometer o mesmo tipo de erro em campanha real, expondo o cliente a risco que ele nem sabe que está correndo. O advogado que contrata esse tipo de serviço confia, sem saber, numa camada de proteção que não existe de fato.

📋 Perguntas que valem ser feitas a qualquer agência antes de contratar produção de conteúdo jurídico:

  • A revisão de compliance acontece antes da publicação, ou só depois de alguma reclamação
  • A agência consegue citar o artigo e parágrafo exatos que fundamentam cada orientação que ela dá
  • Existe processo documentado de checagem contra o Anexo Único, não só contra os 13 artigos principais
  • A agência atende outros tipos de negócio além de advocacia, ou é especializada exclusivamente nesse nicho

🔍 A quarta pergunta costuma ser reveladora. Agência que atende clínica, restaurante e escritório de advocacia com o mesmo processo de produção de conteúdo dificilmente tem profundidade real sobre uma norma tão específica quanto o Provimento 205/2021, porque a atenção fica dividida entre regulações completamente diferentes de setor para setor.

Vale um último ponto sobre a relação entre agência e escritório. O contrato de prestação de serviço, mesmo não alterando a responsabilidade perante a OAB, pode e deveria prever expressamente qual das partes assume o custo de eventual correção necessária depois de identificado erro de compliance, evitando disputa comercial que se soma ao próprio risco disciplinar já existente.

Essa cláusula contratual específica raramente aparece em proposta comercial de agência genérica, justamente porque a maioria delas não trabalha com o nível de especialização que antecipa esse tipo de risco antes mesmo de ele se materializar em processo disciplinar real, deixando o escritório exposto tanto ao risco perante a OAB quanto ao risco de custo adicional não previsto para corrigir o problema depois de identificado.

A conclusão prática de todo esse levantamento é direta. Conhecer o Provimento 205/2021 com precisão, artigo por artigo, não é exercício acadêmico distante da rotina do escritório. É o tipo de conhecimento que evita custo real, tanto o custo disciplinar formal quanto o custo comercial de contratar assessoria que promete compliance sem ter lido o texto oficial da norma com o cuidado que ele exige.

Qualquer escritório que já publicou conteúdo digital nos últimos anos, seja em site próprio, blog, rede social ou campanha paga, se beneficia de uma revisão pontual contra essa numeração correta, ainda que o conteúdo pareça, à primeira vista, genérico e sem risco aparente algum.

O custo de fazer essa revisão é sempre menor do que o custo de descobrir tarde demais, depois de uma notificação formal da Comissão de Fiscalização da própria seccional, que o material publicado há meses violava um artigo específico que ninguém tinha revisado com cuidado suficiente antes de ir ao ar, especialmente considerando o volume de conteúdo digital que qualquer escritório ativo costuma acumular ao longo de poucos anos de operação contínua.

Esse cuidado com a fonte primária, em vez de repetir informação de terceiro sem checagem, deveria ser o padrão mínimo esperado de qualquer material publicado sobre regulação profissional, seja ele produzido por agência de marketing, por escritório de advocacia ou por qualquer outro tipo de fornecedor que atenda esse mercado específico e sensível do ponto de vista disciplinar.

Este guia foi construído com esse padrão em mente, e continuará sendo revisado sempre que houver qualquer atualização real do Anexo Único pelo Comitê Regulador, mantendo a mesma disciplina de citar artigo e parágrafo exatos que sustentou cada afirmação feita do início ao fim deste conteúdo específico sobre a norma, sem exceção, do primeiro ao último parágrafo escrito aqui.

A numeração certa não é detalhe menor de todo esse processo de verificação. É a diferença entre orientação que resiste a uma checagem cuidadosa e conteúdo que só parece confiável até alguém abrir o texto oficial e comparar linha por linha com o que foi publicado em qualquer outro lugar da internet, sem essa mesma verificação criteriosa feita antes de qualquer publicação nova.

Esse é o padrão que qualquer conteúdo sério sobre regulação profissional deveria seguir, do primeiro ao último parágrafo, sem exceção alguma ao longo de todo o texto apresentado aqui, hoje e nas próximas atualizações futuras.

Provimento 205/2021 tem estrutura mais simples do que boa parte do conteúdo sobre o tema sugere: 13 artigos que estabelecem princípio, definição e vedação central, e um Anexo Único que aplica isso a situação concreta, de chatbot a grupo de WhatsApp.

Conhecer a numeração exata de cada regra não é exercício acadêmico. É o que sustenta qualquer defesa técnica caso um processo disciplinar seja instaurado, e é o que separa orientação confiável de conteúdo que repete erro de terceiro sem checar a fonte original.

Para quem quer garantir que cada peça de marketing jurídico do escritório está revisada artigo por artigo contra o Provimento 205/2021, a auditoria gratuita de Marketing para Advogados Brasil analisa a presença digital completa, sem compromisso de contratação.

Sobre o autor

Publicado em 27 de maio de 2026 por Marcio Caldas

Marcio Caldas é bacharel em Direito pela FABEL (2012-2017) e em Design Gráfico pela FEAPA (2004-2007), em Belém do Pará, combinação pouco comum que sustenta o trabalho da MAB: entender a lógica jurídica e as regras do Provimento 205/2021 da OAB tanto quanto entender design, SEO, GEO, AEO e conversão. Somos experts em direito e design, e com nossa ampla experiência de agência internacional, temos a faca e o queijo na mão!

Fundador da MAB, Marketing para Advogados Brasil, dedicada a atender exclusivamente escritórios e advogados brasileiros com faturamento mensal acima de R$ 30 mil, dentro das regras do Provimento 205/2021 da OAB.

Cada artigo publicado pela MAB passa por pesquisa de fonte real antes da publicação, nunca por dado estimado ou inventado, incluindo este guia sobre provimento 205/2021 da oab, construído a partir das fontes reais citadas ao longo do artigo.

Referências bibliográficas

Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Federal. Provimento nº 205, de 15 de julho de 2021, texto integral e Anexo Único, publicado em oab.org.br.

Brasil. Lei 8.906, de 4 de julho de 1994. Estatuto da Advocacia e da OAB, artigos 3º-A (Lei 14.039/2020), 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 72.

Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Federal. Código de Ética e Disciplina, Resolução nº 02/2015, artigos 39 a 46.

Diário Eletrônico da OAB, ano 3, número 647, publicação de 21 de julho de 2021.

Código de Ética e Disciplina da OAB, Resolução nº 02/2015, artigos 39 a 46, sobre publicidade profissional.

AASP, O que pode e o que não pode na publicidade da advocacia, matéria de 26 de novembro de 2021.

Desmistificando, guia sobre impulsionamento de publicações por advogados, 28 de maio de 2024.

Migalhas, Publicidade na advocacia, com a reprodução dos artigos 39 a 46 do Código de Ética e Disciplina.

Advbox e Projuris, guias de terceiros sobre o Provimento 205/2021, consultados como segunda leitura.

Perguntas frequentes sobre Provimento 205/2021

É a norma do Conselho Federal da OAB, publicada em 15 de julho de 2021, que regula a publicidade e a informação da advocacia no Brasil. Tem 13 artigos e um Anexo Único, e revogou o Provimento 94/2000, conforme o artigo 12 do próprio texto.

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